Mostrando postagens com marcador Reflexões educacionais. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Reflexões educacionais. Mostrar todas as postagens

8 de jul. de 2011

BOAS FÉRIAS!


Durante as aulas, o mundo da criança gira em torno da escola e dos coleguinhas. A família ganha espaço só nos fins de semana, e isso pode não ser o suficiente para uma convivência proveitosa. As férias são, então, uma grande oportunidade para interagir com pais e os irmãos. Como é comum as crianças ficarem em casa à procura de atividades para passar o tempo, uma ótima opção é a leitura, e os pais podem e devem incentivar esse hábito.Um livro não é só uma fonte de saber, é também um meio de estreitar os laços entre pais e filhos.
                                                                         Boas férias!


Postagem: Kéllen Rodrigues - APMF

5 de jul. de 2011

Respeitar a diversidade também é prevenir o bullying

Os pais têm entre os seus grandes desafios ensinar a criança a respeitar a diversidade para formar um cidadão preparado para o seu tempo, capaz de ter uma vida social saudável. Desde bem pequenas, as crianças precisam aprender a respeitar as diferenças e sentir que existe um espaço para a livre convivência entre todos. A educação, em casa e na escola, deve dar conta de colocá-las em contato com essa realidade.
Respeitando colegas gordinhos e magrelos, que gostam de correr e gritar ou que preferem ficar quietos, que gostam de jogar futebol ou preferem ler um livro, a criança desenvolve empatia, tolerância, solidariedade e a percepção ética que carregará pela vida toda, alimentando uma cultura de paz.
Vejo os casos de bullying pelo mundo afora e penso nos meus tempos de menina: uma verdadeira selvageria! Estudantes marcavam brigas na porta da escola e os bailinhos de garagem acabavam com os adolescentes embriagados de cuba-libre trocando socos e pontapés. Há 40 anos, os apelidos para desqualificar eram a coisa mais comum do mundo e ninguém parecia preocupado em mudar aquilo. Bastavam algumas sardas para virar o Ferrugem, um menino negro era chamado de Suco de Pneu e ninguém sabia o nome do amigo mudo, pois todos o conheciam como Mudinho.
Crianças e adolescentes repetiam com esses comportamentos a violência e os preconceitos que viam na família e em qualquer canto. Ninguém dava nome para a doença social e as cenas não iam parar na internet, mas o conflito estava lá, presente na infância e na adolescência. Não é isso o que queremos para os nossos filhos.
Para o pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP) Renato Antonio Alves, o bullying mostra que precisamos de uma cultura de paz. Vivemos a falência do mundo adulto no aspecto social e do desenvolvimento humano. “É uma questão de valor. Para mudar a criança, tem de mudar o adulto. Estamos distantes ainda, mas, mais próximos do que estávamos há 30 ou 40 anos”.
Para o pesquisador, apesar de todos os problemas, no passado, os papéis eram mais definidos. Os cuidados da mãe e a autoridade do pai eram percebidos e respeitados pelas crianças, embora, muitas vezes, por força do autoritarismo. Mas, bem ou mal, elas tinham parâmetros de conduta. Ao contrário do que acontece com frequência hoje em dia, os pais assumiam a responsabilidade pela educação.
Agora, na avaliação de Renato, as crianças “vivem uma solidão atroz”, quando os pais – uns porque precisam, outros porque querem – ficam ausentes de casa o dia inteiro até à noite, deixando os filhos por conta deles mesmos, do irmão mais velho ou de outras pessoas. “Os filhos não contam o que está acontecendo, mas os pais não percebem?! Ninguém está percebendo porque ninguém está vendo”.
Para diminuir a violência contra as crianças e contribuir para o desenvolvimento saudável da sociabilidade, os pais precisam saber lidar desde as primeiras cólicas do bebê até as artes e infrações cometidas pelos filhos. O pesquisador defende a necessidade de políticas públicas para dar suporte e orientação aos pais, com informação sobre o desenvolvimento infantil, para que eles compreendam a importância da qualidade da relação que estabelecem com os filhos.
O desenvolvimento da sociabilidade não termina em casa, o papel da escola é fundamental. No entanto, muitas instituições caem nesse limbo de responsabilidade, não assumem essa função para evitar confronto com os pais ou clientes. O pesquisador acredita que o atual modelo de educação, que privilegia o conteúdo, não contribui para uma cultura de paz. Ao contrário, fomenta a disputa e a competitividade, pois a criança ingressa na educação infantil com o vestibular como objetivo.
“A escola não assume a função de educar para a convivência coletiva, e quando assume, é no plano secundário. A educação é um terreno fértil para a mudança, para relativizar o que se aprende em casa, para criar empatia com o outro, se identificar com quem sofre, se solidarizar com quem é maltratado e discriminado”. Famílias e escolas precisam dialogar e juntas acolher as crianças para exercitar a paz.

3 de jun. de 2011

POR QUE ENSINAR VALORES?

Celso Antunes

Dizer a uma criança de cinco anos para que coma salada, porque salada “faz bem” não a induz a devorá-la. Se o fizer, fará para agradar a mãe ou, pior ainda, comerá salada “apesar de detestá-la”, porque ainda que não ouse revelar, tem medo da mãe. A criança não gosta das saladas não porque a química que compõe seu organismo a rejeita, mas sim porque não compreende porque deve comer salada. As palavras da mãe não garantem a convicção e em seu nível de conhecimento, comer salada não faz qualquer sentido, ao contrário, por exemplo, de entupir-se de guloseimas. Em verdade, quem recusa a salada na criança não são as suas células gustativas que caracterizam o paladar, mas seu cérebro, pois o cérebro humano jamais aceita o que não lhe faz pleno sentido.

A referência à salada e a circunstância da criança são apenas exemplos simbólicos. Em qualquer idade, somente gostamos do que possui sentido e por esse motivo não somos capazes de decorar um punhado de palavras esdrúxulas, como por exemplo, “murufratagitrari, brucutrape, saratripiu”, mas guardamos com carinho o recado gostoso de que “amanhã será domingo de sol e a praia nos espera”. Se pensarmos bem, a aparente dificuldade da memória para registrar os dois recados acima é absolutamente a mesma, mas fixamos a segunda e não a primeira porque a segunda faz sentido. Em síntese, o “combustível” do cérebro humano é sempre a “significação” e quando tentam nos enfiar na memória frases sem essa essência, reagimos como reage a criança diante da salada imposta.

É por esse motivo que é importante ensinar valores.

Os valores não são como habitualmente se pensa atributos desejáveis ao ser humano, ou fundamentos da dignidade da pessoa, ou objeto de escolhas morais, ou qualidade que pode fazê-lo mais ou menos bonito no contexto social. Ao contrário, os valores são os alicerces da humanidade, a essência da preservação da espécie e o “alimento” que integra e faz prosperar os grupos sociais. Mais que isso, “Valores” são, em última instância, aquilo que pode ser vivenciado como algo que faz sentido e, dessa forma, como tudo quanto dá razão à vida. A vida biológica do homem, tal como a vida biológica da mosca, não necessita ser vivida. Representa simplesmente uma circunstância evolutiva, um acidente orgânico e dessa forma, basta durar apenas o tempo para se reproduzir. Com essa missão orgânica concluída, a vida não tem mais motivo e morrer ou não constitui apenas um acidente que termina outro que a gerou.
Mas, o homem não é apenas constituído por uma vida biológica. É uma vida que alcança a plenitude do sentido porque ama, sofre, constrói, se zanga, se surpreende, foge da tristeza, anseia pela felicidade, cultiva a simpatia, exibe compaixão, embaraça-se, assusta-se com a culpa, cresce com o orgulho, mortifica-se com a inveja e por isso tudo causa espanto e admiração, indignação ou desprezo. “Sem sentir-se “inundado” pelas emoções e pelos valores, a vida não é vida e se fosse possível não tê-los, bastava ao homem passar pela vida e não viver”.

É por esse motivo, insistimos que é importante ensinar valores.

Mas se não se duvida dessa importância, é essencial que se descubra que ensinar valores tal como se insiste com a criança que coma salada, implica em sua rejeição ou, pior ainda, em um domínio sem compreensão, uma aprendizagem sem significação, logo rejeitada pelo cérebro. Valores não se ensinam, pois, com conselhos.

Nada contra os conselhos. Se bonitos e bem intencionados até que não ficam mal em quem quer que seja. Mas, acredita-se que possam ser “apreendidos” representa uma outra história. Os valores, tal como as saladas, precisam de momentos certos para serem mostrados e, sobretudo, necessitam de exemplos para serem explorados, circunstâncias específicas para que sejam compreendidos, ambientes emocionalmente preparados para que sejam discutidos. Assim como não se discute a boa intenção da mãe em tentar empanturrar seu filho de cinco anos de saladas, também não se discute a intencionalidade de se ensinar valores de forma discursiva. Isso até pode ser satisfatório para a consciência de quem transmite, mas certamente é inútil para o cérebro de quem acolhe. Se é que acolhe.

A disciplina em sala de aula

É essencial que se restaure a disciplina em sala de aula, que se faça desse valor um objetivo a se perseguir, não para que a sala se isole da sociedade e também não para que a aula do professor fique mais confortável, mas antes para que ali ao menos se aprenda como tentar modificar o caos urbano que o desrespeito social precipitou. Mas, como fazer isso?

Em primeiro lugar transformando-se a disciplina em um “valor”. Isto é, fazendo com que seja a mesma vista como uma qualidade humana, imprescindível à convivência e fundamental para as boas relações interpessoais. A disciplina não pode, jamais, chegar ao aluno como uma ordem, um castigo, um imperativo que partindo do mais forte, dirige-se ao oprimido em nome de seu conforto pessoal, mas como “produto” de debate, reflexão, estudo de caso e análise onde se descobre a hierarquia de povos disciplinados sobre clãs sem mando ou sobre sociedades oprimidas. A Literatura, a História e a Geografia podem se transformar em espelhos que refletem que a disciplina que se busca não é apenas a que se vê na relação professor x aluno, mas toda aquela que leva um povo à vitória, um ideal à concretização. Depois de uma ampla sensibilização sobre a disciplina enquanto valor humano cabe uma franqueza cristalina na discussão de regras, princípios, normas e fundamentos que são essenciais a todos, ainda que funções diferentes impliquem em regras não necessariamente iguais. Qual a disciplina ideal na opinião dos alunos? Qual na opinião dos professores? Quais regras são boas para todos e quais sanções cabem a quem não as cumpre? Esse diálogo não deve valer somente para se sensibilizar a classe sobre o valor da disciplina, mas para formalizar verdadeiro “contrato” que unindo interesses, exigirá reciprocidade.

Em terceiro lugar um sincero convite para que todos os membros da comunidade – alunos, pais, professores, inspetores, serventes, etc. – ajudem a escola a construir os valores que objetiva. Que se mostre o que a sala de aula está fazendo e o que espera que faça o cidadão, que se busque algumas simples regras para a comunidade que uniformizando a solidariedade, sinaliza, para a construção de um ideal. É a oportunidade para mostrar que o belo e o bom não são questão de preço, mas ação comportamental de uma comunidade. É possível imaginar o efeito de um boicote de clientes contra a instituição pública ou privada que menospreze a disciplina? A construção de regras implica tacitamente na proposição de sanções quando de sua infringência, tal como no esporte o descumprir da regra implica na falta, e estas sanções necessitam menos castigar que orientar menos punir e bem mais relevar o sentido e a significação de se viver em grupos.

Isto mudará o mundo fora da escola, além do entorno e de sua comunidade? Ocorrerá a restauração da fila e o voltar do respeito? Impossível ter certeza, mas ainda sem ela fica a convicção de que se a comunidade não fizer da sala de aula o seu espelho, ao menos os alunos e mestres desta sala a transformarão em abrigo sereno que sonha transformar-se em pequenino modelo para uma comunidade melhor.
Fonte: Jornal RMC

29 de mai. de 2011

Ao mestre com Carinho

glitters

    Mestre
...é aquele que caminha com o tempo, propondo paz, fazendo comunhão, despertando sabedoria.
Mestre é aquele que estende a mão,
inicia o diálogo e encaminha para a a aventura da vida.

Não é o que ensina fórmulas, regras, raciocínios,
mas o que questiona  e desperta  para a realidade.

Não é aquele que dá de seu saber,
mas aquele que faz germinar  o saber do discípulo .

Mestre é você, meu professor amigo que me compreende,
me estimula, me comunica  e me enriquece com sua presença,
seu saber e sua ternura .

Eu serei sempre um discípulo  na escola da vida .

Obrigada, professor !
                                                                                                 (N. Maccari)




Os filhos aprendem o que vivenciam

Se os filhos aprendem com críticas,
Aprenderão a condenar.

Se os filhos vivem com hostilidade,
Aprenderão a brigar.

Se os filhos vivem com medo,
Aprenderão a ser apreensivos.

Se os filhos vivem com piedade,
Aprenderão a sentir pena de si mesmos.

Se os filhos vivem com o ridículo,
Aprenderão a ser tímidos.

Se os filhos vivem com ciúmes,
Aprenderão o que é inveja.

Se os filhos vivem com vergonha,
Aprenderão a sentir-se culpados.

Se os filhos vivem com tolerância,
Aprenderão a ser confiantes.

Se os filhos vivem com elogios,
Aprenderão a apreciar.

Se os filhos vivem com aprovação,
Aprenderão a gostar de si mesmos.

Se os filhos vivem com aceitação,
Aprenderão o amor no mundo.

Se os filhos vivem com reconhecimento,
Aprenderão a ter um objetivo.

Se os filhos vivem com partilha,
Aprenderão a ser generosos.

Se os filhos vivem com honestidade e imparcialidade,
Aprenderão o que são a verdade e a justiça.

Se os filhos vivem com segurança,
Aprenderão a ter fé em si mesmos e naqueles ao seu redor.

Se os filhos vivem com benevolência,
Aprenderão que o mundo é um lugar agradável de se viver.

Se os filhos vivem com serenidade,
Aprenderão a ter paz de espírito.
                                                                
                                                                    Dorothy l. Nolte